Eles vão gritar muito dentro de seu cérebro (blowing your brain cells out). Eles vão fazer aqueles que continuam a cultivar longos cabelos em pleno 2010 terem orgulho de sua madeixas (eles poderão mesmo ensaiar sorrisos). Eles vão levantar os olhos dos mais descrentes e vestir as idéias que podemos ter de noise-rock com uma roupa que brilha no escuro (muita fumaça colorida em volta).
E a verdade é, este disco do Comets on Fire que vem de 2006, que foi gravado e precisamente trabalhado por Steve Fisk junto com esses cinco rapazes cheios de energia, diretamente da ensolarada Califórnia conseguiram trazer com esse terceiro disco, todo o rock desajustado da década de 70, injetaram-lhe boas doses de novos psicotrópicos, de novos instrumentos, carregaram nas letras inspiradoras e conseguiram erguer este verdadeiro monumento ao progresso.
A primeira década do terceiro milênio tem por muitas vezes suas realizações artísticas (é, é para ser vago mesmo) divididas entre duas possibilidades: ou seu resultado não consegue se desvencilhar de uma herança qualquer, que resiste no presente, sendo mais forte, falando mais alto do que o dispositivo atual de manifestação, de um grupo, de uma pessoa; ou no outro caso o resultado é aclamado porque, ao mesmo tempo em que consegue nos sugerir de onde suas manobras partem, também é capaz de, através de seus movimentos nos indicar um ponto adiante, nos permitindo arriscar previsões no domínio em que o a tal manifestação estaria incluída.
Comets on Fire se planta, com todos os pés e músculos nesta segunda categoria. E nisso o disco Avatar constitui-se como um verdadeiro trabalho bem acabado. 
É inútil querer dizer além, o grupo realiza com um cuidado digno de um feiticeiro a famosa expressão, ‘atualização do passado’, e faz isso impregnado de uma energia louca que não pode vir de outro momento que do presente (e é claro que o uso do Echoplex, que vai transmutar incessantemente vocais e instrumentos, faz dupla inegável com essa energia). Eles conseguem nos fazer sentir uma melancolia nostálgica por um pop perdido (confuso sobretudo), com os vocais belíssimos nas três músicas mais ‘fáceis’ do disco (Lucifer’s Memory, The Swallow’s Eyes e Hatched upon the Age [marcar bem nesta última o que é feito com o piano!!]).
Esses vocais inclusive, não é demais repetir, não vão se render jamais e a beleza que o grupo sustenta com as explosões eletrônicas, através dos riffs memoráveis e os vocais incompreensíveis, vai continua a atravessar o disco mesmo nestes momentos de respiração mais tranqüila (momentos em que somos mais capazes de dizer exatamente para onde o grupo está olhando quando olha para trás, e o Jefferson Airplane está lá, sem dúvida). Fato é, ainda que contemos com dois portos de descanso no disco, não paramos de escutar a mensagem do grupo, ela assume o próprio nome do álbum e se revela com várias faces. E esta coordenação impecável entre o trabalhado da bateria, as linhas de baixo e as guitarras possuídas, trabalho em que a saturação vai até as portas da loucura, vai continuar.
A instrumental Sour Smoke aponta as armadilhas de um post-rock que, no mínimo desde 2000, não tem feito muito além do que rodar em círculos. Mas o grupo, não muito preocupado com os problemas alheios vai desfilando ao longa desta música no clima de trilha sonora, a coesão de uma banda, em que a todos os membros é conferida igual importância e um peso similar no processo de criação. Essa música vai longe, alto e a uma velocidade incrível. E a viagem não para, estamos a um passo de abraçar uma guitarra que faria inveja aos momentos mais criativos de um Jimmy Page.
O que resta além deste sentimento de preenchimento obtido por apreciar-ce um disco bem feito é a inquietação para que um novo disco destes rapazes apareça logo, então um novo ano será
marcado, como foi feito com o ano de 2006.
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